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A BOMBA DO DITADOR JES E A SURPRESA DE PASSOS COELHO
“O Governo português tem defendido e praticado uma consistente actividade visando o estreitamento da relação especial com o Governo angolano. De facto, os laços particulares que unem os dois povos e as duas Nações mais do que justificam essa prioridade da política externa portuguesa.

Até por isto, e apesar da surpresa com que escutou as referências feitas hoje pelo senhor Presidente José Eduardo dos Santos à situação da relação entre os nossos dois países, o Governo reitera a importância que tem atribuído e continua a atribuir ao bom relacionamento entre Portugal e Angola e ao alcance estratégico para Angolanos e Portugueses desse bom relacionamento aos mais diversos níveis.”

O comunicado divulgado pelo gabinete do primeiro-ministro não diz muito. É uma declaração inócua que reitera que Angola é uma das prioridades da política externa portuguesa. Mas diz uma coisa: que o governo ficou surpreendido com as declarações de José Eduardo dos Santos.


E não devia. Primeiro, porque seria no mínimo, da mais básica cordialidade, que José Eduardo dos Santos – ou alguém por ele – chamasse o embaixador português em Luanda para o avisar do que ia dizer no discurso sobre o Estado da nação. Era o comportamento normal quando se faz uma afirmação do género sobre um país que é mais do que amigo, sobretudo quando feita pelo próprio Presidente, com o peso que isso acarreta.

Depois porque Portugal tem em Luanda um embaixador muito competente. Para além das passagens por diversos países africanos – como a África do Sul ou o Zimbabwe – João da Câmara teve no ministério dos Negócios Estrangeiros responsabilidades nas relações com África.


Mais: entre Setembro de 2005 e Fevereiro de 2008, foi director do Serviço de Informações Estratégicas de Defesa. É, por isso, alguém extremamente habilitado para compreender as movimentações políticas e sociais locais. Não acredito que nas últimas semanas ele não tenha comunicado ao Ministério dos Negócios Estrangeiros – portanto, ao governo – as dinâmicas que se fazem sentir em Luanda.


Que seriam perceptíveis seja através dos textos publicados no Jornal de Angola, seja através das conversas mantidas com empresários e políticos locais, seja através dos encontros proporcionados pela recente visita a Luanda do Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, Luís, Campos Ferreira. Os contactos são mais do que frequentes. Em vez de se mostrar surpreendido, o governo devia ter lamentado as declarações de José Eduardo dos Santos.
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