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ʺ"O Preto não é. Não mais do que o branco"
ʺ"O Preto não é. Não mais do que o branco"

Marcelino dos Santos (Cub-g).


O desafio aqui visa essencialmente efectuar em curtas linhas uma observação crítica resumo ao livro de uma proeminente figura da cientificidade africana, o acadêmico Frantz Fanon (in memória) em uma de suas obras da interpretação contemporânea sobre questões raciais. Peau Noire, masques blancs (Pele negra, máscaras brancas) é o desafio da nossa interpretação nas próximas curtas linhas.

Fanon, um jovem africano erudito que ficou conhecido pela sua peculiaridade na observação das práticas raciais. Em um contexto bastante melindroso, conseguiu expor suas ideias independentemente das consequências e de um sistema social bastante fechado.

O que torna interessante na obra do autor, é a atenção que o mesmo dá a ʺdenegação como algo sintomático das pessoas negrasʺ. Esta visão remete-nos a prática de clareamento da pele a que muitos dos africanos negros se estão a sujeitar hoje.

Fanon trás uma abordagem que literalmente nos remete a repensar sobre o entendimento que temos do mundo. Ou seja, repensar na existência (se é que existe) de possíveis diferenças ou igualdades entre pretos e brancos.
O autor adopta uma perspectiva sociológica nascida no pragmatismo americano conhecida por ʺInteracionismo simbólicoʺ para descrever a construção social do ser negro. Aqui chamamos especialmente as premissas de Blumer para descrever este facto: as pessoas agem em relação às coisas baseando-se no significado que atribuem a essas coisas; e esses significados são resultantes da sua interacção social e modificados por sua interpretação.

O fundamento de relacionar a esta teoria sociológica a visão de Fanon, justifiça-se também pela enfase que o autor dá à necessidade de examinar a linguagem, por ser através da mesma que vivenciamos os significados. A adopção de uma postura tautológica a dos brancos por parte dos negros leva ao racismo dos negros contra os brancos e negros, aí justificamos a afirmação do autor, mais uma vez.

Não seria extremismo trazer aqui o posicionamento que tem sido tomado por parte de muitos negros quando alcançam o poder económico. Estes (negros) geralmente, procuram gastar como o branco, viver como o branco e buscam satisfação efectiva com parceiro/a branco/a. Esta alienação leva o homem negro a ʺconceber a cultura europeia como um meio de se desligar de sua raçaʺ. Outro facto observável na hodiernidade é a saga de intelectuais africanos que sentem-se academicamente realizados quando vão frequentar estudos na europa, como uma forma de consolidar os conhecimentos científicos. A produção cientifica em África em muitos casos fica subordinada a uma confirmação de cientificidade europeia, ao que Fanon cunhou de ʺcolonialismo epistemológicoʺ, quando a ʺalienação é de natureza quase intelectual.

Ao preocupar-se com posições de ódio e descriminação racial por parte de negros, o autor apela ao abandono de posicionamento negro contra o branco, e aí provavelmente o Pan-africanismo radical e a negritude Gervey.

O negro quer ser como o branco devido a seus posicionamentos ofensivos em muitos casos, usando para tal, aquilo que E. Goffman denominou de ʺmascaras das representações.

Por tanto, a afirmação de que ʺ"o preto não é. Não mais do que o branco"ʺ responde a frequente ideia de lutas de negros para tomar o lugar do branco, fazer o mesmo que os brancos do passado fizeram aos pretos. Isto confirma-se nas teorias negroides de Marcus Gervey. Esta frequente tentativa de querer ser como o branco faz com que pretos tratam até seus próprios irmãos (pretos) com inferioridade.

Há claramente a idéia segunda a qual, o tom de pele mais clara implica superioridade em detrimento daqueles com o tom de pela mas escura.

Então, ʺ"o Preto não é. Não mais do que o branco".

Os interessados podem socorrer a obra do autor para a formulação de seu ponto de vista. Aí vai:

Fanon, Frantz/Tradução de Renato da Silveira (2008). Pele negra máscaras brancas: Salvador : EDUFBA, 2008.
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