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Alemanha prepara ‘assalto’ às instituições europeias
Alemanha prepara ‘assalto’ às instituições europeias

António Freitas de Sousa /lusa


Para o ano, tudo muda: a Comissão Europeia e a presidência do BCE. O governo de Angela Merkel já se está a movimentar nos bastidores para assumir preponderância.

A Alemanha, que quase garantiu a presidência do Banco Central Europeu (BCE) com Jens Weidmann, governador do Bundesbank, tem planos mais ambiciosos para controlar o braço político e financeiro da União Europeia, segundo adianta alguma imprensa do continente. Günther Oettinger, homem forte da CDU e aliado de Merkel enquanto Comissário Europeu para o Orçamento e Recursos Humanos, avançou numa entrevista ao jornal ‘Handelsblatt’ que, para a Alemanha “o melhor seria um presidente da Comissão alemão e um francês inteligente à frente do BCE”.

O executivo da Comissão liderada pelo luxemburguês de Jean-Claude Juncker enfrenta a fase final de seu mandato, que termina em novembro de 2019, e os governos europeus já estão a movimentar-se para ocuparem posições-chave da União Europeia. O fim do ciclo da atual Comissão Europeia coincide com a conclusão do mandato de Mario Draghi à frente do BCE, o guardião do euro, o que coloca desafios acrescidos nos bastidores da União.

Para o próximo ano, o poder político e económico permanece nebuloso na Europa e há muito que se especula que a Alemanha tentaria controlar o BCE depois do mandato de Draghi, marcado por medidas pouco ortodoxas para salvar o euro e recuperar a Zona Euro da recessão, medidas que Berlim encarou com alguma reserva e mesmo com frontal oposição algumas vez – desde logo através da figura de Wolfgang Schäuble, por muitos considerado o ‘carrasco’ dos países do sul da Europa.

A fórmula de estímulo mágico de Draghi entrou em choque com a receita de austeridade de Berlim. O presidente do Bundesbank e membro do Conselho do BCE, Jens Weidmann, que faz parte de todas as ‘listas de apostas’ para suceder a Draghi, pode acabar com as políticas monetárias criativas no BCE.

Mas os planos de Merkel não passam apenas pelo controlo financeiro do euro, mas também pelo aumento da influência política na presidência da Comissão Europeia, segundo dizem as mesmas fontes. Na semana passada, Manfred Weber, alemão, líder do Partido Popular Europeu (PPE) no Parlamento Europeu e aliado da chanceler, anunciou a sua candidatura à presidência da para a Comissão Europeia em 2019.

“Quero ser o líder da lista do PPE às eleições europeias de 2019 e ser o próximo presidente da Comissão Europeia”, disse Weber, membro da União Social Cristã da Baviera (CSU), na sua conta no Twitter. Mas talvez as suas pretensões não sejam assim tão fáceis de alcançar – depois dos desencontros entre a CDU e a CSU que marcaram os meses mais recentes, mas principalmente depois da intervenção de Weber no Parlamento Europeu a propósito da questão húngara, que muitos analistas viram como particularmente ‘infetada’ pela postura de o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán.

É impossível que dois alemães ocupem ao mesmo tempo a presidência do BCE e da Comissão Europeia. A França estaria em condições de oferecer vários nomes que se ajustassem aos planos de Merkel. O presidente do Banco Central da França, François Villeroy de Galhau, Benoît Curé, membro do conselho executivo do BCE e Christine Lagarde, secretária-geral do FMI, são os três nomes que já circulam nos bastidores.
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