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Descanso eterno, General "Ben-Ben"
Descanso eterno, General "Ben-Ben"

Os restos mortais do General Arlindo Chenda Issac Pena "Ben-Ben" chegaram hoje à Luanda, provenientes da República da África do Sul, em cujo solo estiveram sepultados, na sequência do seu falecimento a 19 de Outubro de 1998, após ter sido evacuado de Luanda.

O General Ben Ben fazia parte do grupo de oficiais das FALA que foram incorporados nas fileiras das Forças Armadas Angolanas - FAA, ocupando o cargo de Chefe do Estado Maior Adjunto, no âmbito dos Acordos de Paz .

Nas FALA exerceu as funções de Comandante Militar a vários escalões e chegou a ser Chefe do Estado Maior General. Teve formação militar em Academias Militares de Marrocos e França. O meu primeiro encontro com o General Ben, em 1980, um pouco depois do último levantamento do Cuangar, na altura Major, quando escalou a posição do Batalhão 333, na RM 17, então comandado pelo então Major, Álvaro Essuvi Lutukuta.

Entre as suas várias qualidades destaca-se a simplicidade. Nas unidades militares que dirigiu, tornou-se, facilmente amigo dos soldados com os quais jogava bola, quando as circunstâncias operacionais o permitissem. Esteve com os Batalhões 04 e 60 na abertura da Frente Norte a partir da então Região Militar 93. Foi Comandante da Frente Estratégica "Estamos a Voltar". Comandou unidades das FALA que durante 137 dias defenderam com estoicismo e patriotismo o Mavinga contra a chamada Ofensiva do Último Assalto.

Foi o General Ben e seus companheiros das FALA que introduziram nas fileiras das FAA um novo modo de relacionamento entre oficiais e praças. Nas FALA de onde provinham, as altas patentes tinham o dever e obrigação de irmãos mais velhos dos soldados. Já nas FAA os Generais idos das FALA ensinaram as altas patentes a dignar-se cumprimentar os seus subordinados, apertando-lhes a mão.

Não era prática. Os soldados eram tido como simples objetos, não eram tratados com dignidade intrínseca à sua natureza humana.

Em 1992, escapou do assassinato programado pelos serviços
de segurança do MPLA contra dirigentes e membros da UNITA. Mas o seu irmão Engenheiro Elias Salupeto Pena foi assassinado com o então Vice-presidente Jeremias Kalandula Chitunda, Alicerces Mango e Eliseu Chimbili.

Tendo abandonado Luanda, graças à sua destreza militar, o General Ben Ben chegou ao Huambo em Fevereiro de 1993, em pleno decurso da guerra dos 55 dias, em a UNITA resistia tenaz e heroicamente a ofensiva das FAA.

Em 1995, o General Ben-Ben chefiou a delegação das FALA nas negociações das chefias Militares. com vista a implementação do Protocolo de Lusaka. A delegação das FAA era dirigida pelo seu chefe do Estado Maior, o General João Baptista de Matos. As negociações que visavam a implementação de questões Militares do Protocolo de Lusaka tiveram duas rondas na Comuna da Chipipa e na sede municipal do Waku Kungo, sob os auspícios do General Chris Garuba. Na Chipipa, o mediador escolheu a pequena igreja para albergar, sob Crucifixo, as chefias dos dois exércitos rivais, em busca das vias para cumprimento das cláusulas militares.

A segunda ronda aconteceu no Waku Kungo. Eram momentos de tensão, em que a delegação das FAA tentava explorar as suas vantagens no campo militar, procurando impor condições inaceitáveis à outra parte. O General Ben Ben, que na mesa de negociações representava o Alto Comandante das FALA, defendia, com serenidade, dignidade para os oficiais e soldados a desmobilizar. A ronda do Waku durou dois dias. No último dia, as condições climatéricas não foram favoráveis à aterragem, no Bailundo, do avião da UNAVEM que levava de volta a delegação das FALA. Passar a segunda noite no Waku configurava um perigo, sem a presença de outra delegação militar e perante um clima de muita desconfiança entre as partes. O General João de Matos que já tinha deixado o Waku para Katombela, ordenou que o General Ben e sua delegação escalasse a cidade do Huambo, com uma das aeronaves ao serviço das FAA.

O momento impunha serenidade. A cidade do Huambo encontrava-se em poder das FAA, havia pouco tempo. Tal como no Waku onde não todas as garantias de segurança, também a escalado pelo Huambo representava o mesmo risco. Alguma aflição podia ser lida no rosto dos componentes da delegação. Mas o General Ben-Ben que já experimentou muitos momentos de risco, soube transmitir calma necessária. O avião fez-se à pista do aeroporto Albano Machado por volta das 17:00 daquele dia. Ficamos no interior da aeronave, enquanto o Comandante das Forcas da UNAVEM, Brigadeiro Kumar preparava a coluna que levaria o General Ben-Ben a sua comitiva ao Bailundo. Pela janela do avião era possível visualizar Pedro Candela, Comandante provincial da polícia e delegado do Interior e o General Sousa, Comandante da região centro.

Por volta das 19H00 estava tudo pronto. O Brigadeiro Kumar movimentou a coluna de viaturas Nissan todo terreno e convidou o General Ben-Ben e seu pessoal a descer do avião e subir para os veículos. O General Sousa acompanhou o General Ben-Ben até a pedra Kandumbu e despediu-se. Prosseguimos viagem com a escolta da UNAVEM até ao Bailundo, aonde chegámos ao princípio da madrugada.

Na sequência desses passos e do aquartelamento e Desmobilização dos efectivos, os Generais Ben-Ben, Regresso, Chipa, Wiyo, Njele, e outros incorporaram as fileiras das FAA, assegurando deste modo o engajamento da direcção da UNITA e do Dr Savimbi em particular no processo de paz.

Já em Luanda e gozando das "prerrogativas", o General Ben-Ben foi alvo de atentado, tendo a bala, supostamente perdida, atingiu o seu segurança no pé.

Em nome da paz, o General Ben-Ben continuou em Luanda e nas FAA, até que uma dita malária lhe atacou. O seu internamento na clínica do exército, segundo algumas fontes, propiciou o agravamento do seu estado de saúde, a tal ponto que a sua evacuação à África do Sul não travou a sua morte.

Paz eterna, Comandante Ben-Ben.



Por : Lourenço Antonio
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