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Miguel Neto eterniza contribuição de Luís Visconde em livro
Miguel Neto eterniza contribuição de Luís Visconde em livro

Miguel Neto, numa das cidades dos Estados Unidos da América


A ausência de informação sobre uma “estrela” da música angolana levou o autor a pesquisar, escrever e publicar a primeira biografia sobre a vida e obra do músico angolano. Mas o livro ainda está na fase de finalização de escrita

Fernando Guelengue

De acordo com o autor, em entrevista exclusiva ao Marimba, o trabalho começou em 2016 quando resolveu escrever alguns textos informativos e esclarecedor para o jornal Manchete, dirigido pelo então jornalista Francisco Cabila.

Miguel Neto revelou que todo este trabalho foi motivado pela ausência de informação sobre uma estrela que teve uma grande participação no music hall nacional, na época. “Achei que não era justo e decidi então procurar os dados precisos para dar luz à sua história”, frisou o apresentador do emblemático programa radiofónico RC, emitido na Luanda Antena Comercial (LAC), sustentando que foi chamado a publicar.

Mas para tornar em realidade e dar a conhecer os feitos de um talento que contribuiu imenso para a nossa história cultural, Miguel Neto teve de recorrer às pessoas que viveram e conviveram com o biografado. “Falei com umas quantas pessoas que mudaram o sentido literário da minha abordagem. Não especificando todos, cito apenas Ângelo Quental, o irmão de Luís Visconde que me autorizou a publicar todos esses textos na minha pagina Sarrabulhada, no jornal Manchete. O cantor Paulino Pinheiro e o guitarrista Nito Saraiva também contribuíram”, revelou o autor do Auto Nível, acrescentando que entrevistou igualmente Zé Cambuta e a Tia Nina, que por ironia do destino acabaram por falecer em Abril último.

Questionado sobre a perspectiva de recepção por parte da juventude, contando que o país é maioritariamente jovem, o autor, que se encontra nos Estados Unidos da América em missão de serviço de reforço da obra e de outros projectos profissionais, disse que prefere não lhe caber referir isso porque o país ainda está em construção relativamente à literatura. “Se há jovens com um grande défice de leitura, os mais velhos perderam o hábito da literatura (isto é, ler e escrever). Só assim, se compreende o estado tal de decomposição cultural que o país se encontra hoje”, denunciou.

O carismático apresentador acredita que todas as pessoas, dos 8 aos 80 anos, deveriam ter a possibilidade de ler o seu trabalho por se tratar de uma verdadeira história de vida de um compatriota que muito contribuiu para o engrandecimento da cultura angolana. Mas não sabe como o trabalho será recebido por parte das variadas gerações. “Nada disso me preocupa ainda. O certo é que vou emplacar algo que irá orgulhar uma boa franja da nossa sociedade: os kotas”, reforçou.

ACESSO ÀS FONTES

Para a melhoria do trabalho, o autor não dependeu apenas das fontes de informações internas ao país, mas teve de se deslocar ao estrangeiro, em Portugal, para reunir outros dados físicos e literários sobre a vida e obra do artista. “Neste momento estou mesmo no estrangeiro a tentar reunir dados físicos e literários sobre o artista. E não é nada fácil quando nos deslocamos a Portugal sem um documento legal que sirva de suporte às buscas culturais na Torre do Tombo, por exemplo”, explicou o Autor do manuscrito que se encontra já nos 80% da finalização, esclarecendo que está certo de que poderá obter alguma informação sem uma responsabilidade imediata de fazê-la constar no presente livro.

O também apresentador do programa Explosão Musical, do canal 2 da Televisão Pública de Angola, reforçou também que o livro é uma espécie de biografia enriquecida com os depoimentos de várias pessoas que estiveram próximas ao artista. “É preciso que a vida e obra de Visconde seja conhecida e depois trespassada às novas gerações de artistas. Pena é que alguns desses não lêem por uma péssima instrução em Angola”, cita o escritor que já lançou uma obra no mercado literário.

CONTRIBUIÇÕES DE VISCONDE

de acordo com Miguel Neto, não são muitas, porém significativas. “Por exemplo, a música ‘Chofer de Praça’ expressa e alerta sobre a calamidade natural com que os angolanos ainda têm dificuldade de lidar em todos esses anos desde 1963. A chuva ainda é um elemento que mete medo aos angolanos, pelos estragos. Luís Visconde cantou na época colonial sobre essas chuvas que nos assolam, sempre que caiem, em Luanda. Por que não levamos em conta o que ele canta para reconstrução das nossas vias e localidades esburacadas”, disse, acrescentando ser preciso prever e Visconde fez isso já no final dos anos 60 e ver que essa é a mais visível contribuição de Luís Visconde.

“É só vermos que o governo já prendeu jovens por lerem livros. Carecemos de uma indústria do livro em Angola”

Sobre o a pretensão de lançar a obra no mercado nacional e internacional, o autor fez saber que a nossa sociedade tem ainda dificuldades de lidar com livros e outra espécie de formato nesse sentido. “É só vermos que o governo já prendeu jovens por lerem livros. Carecemos de uma indústria do livro em Angola que não há e nem sei se haverá tão cedo. Pretendo publicar este ano, mas veremos”, revelou Neto, reforçando que para a edição das cerca de 200 páginas, há possibilidades de receber apoios do Ministério de Cultura, conforme garantia verbal e informal da titular Carolina Cerqueira.
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