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As memórias de Francisco Guedes sobre a governação de Malanje : Cágado é um animal feroz
As minhas memórias sobre a governação de Malanje:

CÁGADO É UM ANIMAL FEROZ

O Pedro morreu, enforcou-se!

A notícia caiu como uma bomba no planalto. Fez tanto eco quanto a Hiroshima ou Nagazaki.

O Pedro era um homem robusto, rondava as oito arrobas e falava grosso no reinado do cágado, era um dos seus vários delfins, senão mesmo o principal.

Para quem não o conheceu, ele era por lá o Gigi cá da banda, mandava a todos que também mandavam, e ainda ajudava o cágado na ingestão de quase tudo que o cabrito comia até lá onde a sua corda chegava.

O Pedro que também era Viriato, mas não era da Cruz, não se dava conta que de facto carregava uma Cruz que por sinal, era demasiadamente pesada.

O nosso herói perguntou inúmeras vezes aos seus governados, se alguma vez tinham visto um cágado subir a uma árvore e perante respostas sempre negativas ele concluía: Pois é; como ele por si só não sobe a árvore, também não a pode descrer logo, se vocês encontrarem um é porque alguém o colocou lá em cima, por isso, só aquele que o colocou lhe pode tirar.

Lógica mais lógica que a lógica do Mac-Mahon:“O Corno”

Durante o seu reinado, o cágado também deu uma de cabrito e foi comendo, comendo, comendo como ele próprio legitimava, até onde a corda com que foi atado ao pasto chegava, que por sua sorte era comprida demais, por isso comia tanto que o Viriato que não era da Cruz também auxiliava-o na ingestão.

Flaviava tudo e mais alguma coisa, deixando somente o Cemitério para o seu sucessor.

Kufunava de Calandula a Cangandala, e de Cacuso a Xá-Muteba. Pitava no Katéu e fazia a digestão com… e no Ualende.

Reunia no Wenjy.

Desanuviava no Cazungo e descansava no Kabady.

Era o senhor absoluto e o Viriato da Cruz pesada um fiel servidor.

Quando os conterras da Palanca Negra se fartaram e xinguilaram, ameaçando mesmo rescindir com o EME, e o BP enviou para lá uma comichão que, depois de inquirir regressaram talvez com os bolsos aviados e mais tarde foi chamado cá na Nguimbi só para o Inglês ver.

Regressou cantando e rindo, mostrando à todo Malanjino que tinha unhas para se coçar e para dar mais raiva da cara, sem observância a Lei, alterou a denominação de uma das suas discotecas (esta por sinal em sociedade com o LAM) passando a chamar-se : Alweza: “FALHARAM”.

Quando finalmente e em pleno comício, o cágado foi retirado da árvore por quem lá o havia colocado, porque a força do povo é poderosa, tentar travá-la seria o mesmo que amparar o sol com a peneira como dizia Manguxi, o Viriato que não era da Cruz, como é obvio acompanhou-o na queda, começou então a evidenciar a sua real identidade: ANIMAL FELINO. (há muitos na nossa selva governativa)

Estreou-se com a prestação de contas, uma exigência que segundo o Chefe ao empossar o Presidente do TC, disse não fazer parte da nossa cultura.

Amigo amigos, negócios à parte – diz o velho ditado – e como por diversas vezes as contas com o Viriato não davam certas, o cágado enfureceu-se e enviou-lhe um ultimato:

E pá! Estou a vir aí e quero encontrar o meu cumbú.

O Pedro viu-se num beco sem saída. O cágado estava a caminho e com ele brincadeira tem hora.

Pedro baixou para quatro arrobas, estava frito, e a corda comprida do cabrito/cágado chegou até ao pescoço do Pedro Viriato

Malanje 29 de Junho de 2005

Francisco Guedes
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