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Ali Baba “dos Santos” e os quarenta ladrões: “a máquina gigante de roubar dinheiro”
Uma pesquisa publicada pelo Jornal holandês “Trouw” demonstra que a elite do antigo presidente, José Eduardo dos Santos, descrita na pesquisa como “uma máquina gigante de roubar dinheiro”, roubou do estado angolano biliões de dólares, e o ex-presidente é apontado, de acordo com os pesquisadores, como tendo sido a pessoa que mais se beneficiou de toda roubalheira, tendo hoje uma fortuna avaliada entre 17 a 20 biliões de dólares, segundo várias instituições internacionais.

A investigação do jornal holandês foi feita com base nos “Paradise Papers”, através de documentos obtidos da firma Appleby, e centram-se fundamentalmente em duas figuras o general na reserva Leopoldino Fragoso do Nascimento “Dino”, apresentado como o ‘Sheik’ do petróleo angolano, e uma empresa holandesa Trafigura.

À primeira vista, o general Dino, parece ser um empreendedor comum, que através da sua empresa Cochan, investe em várias empresas angolanas, como supermercados e telecomunicações.

“Mas ele é muito mais do que um simples empresário”, escreve o “Trouw”.

Fragoso do Nascimento foi o chefe de comunicação do presidente Dos Santos, e conselheiro mais próximo e amigo de Hélder Vieira Dias “Kopelipa”, antigo Ministro de Estado e Chefe da Casa Militar da Presidência da República. “Não é um homem de comportamento inquestionável”, sublinhou.

De acordo com Stratfor, uma empresa americana de inteligência, que coleciona e analisa informações para governos e empresas, o general Kopelipa é o chefe de uma organização clandestina que roubou em grande parte o dinheiro do Estado angolano com a participação de Fragoso do Nascimento, concluiu Stratfor com base em documentos obtidos da Wikileaks.

Um funcionário da Stratfor, não identificado, descreve a Presidência da República com uma máquina gigante de cobertura de roubos e de desvios de fundos públicos que esteve durante anos a mercê do general Kopelipa e dos seus braços directos, o general Fragoso do Nascimento e Manuel Vicente.

A cooperação entre Fragoso do Nascimento e a Trafigura começa em 2009. Ano em que se criou a empresa DT Grupo. A DT tem actividades em vários sectores, como transporte, agricultura e mineração. Mas o comércio de petróleo é, de longe, o mais importante.

Fragoso de Nascimento participa na DT Grupo através da sua empresa Cochan, registada nas Bahamas. De acordo com o site da Cochan, a empresa foi criada em 2001. Mas o Paradise Papers revela que na verdade a empresa foi fundada em 2006 e esteve sob gestão da Trafigura desde então e Dino só assumiu a gestão da empresa em 2010, ano em que foi promovido a general, tornando-se no único acionista e obtendo assim o controlo total da empresa.

A DT Grupo obteve, no mesmo ano, do Estado angolano um contrato estimado em 3,3 biliões de dólares. Através de contratos de swap, a DT Grupo recebia do Estado angolano petróleo bruto, passava a Trafigura que por sua vez devolvia em troca petróleo refinado.

A grande questão, é claro, a razão desta cooperação entre Trafigura e Fragoso do Nascimento. Os críticos, incluindo Marc Guéniat investigador da NGO suíça ‘Public Eye’ e o jornalista angolano Rafael Marques de Morais, pensam que a cooperação para Trafigura foi crucial para obter o acordo bilionário para o comércio de petróleo, e o controlo total, o monopólio, na importação de petróleo e derivados.

Por outro lado, através do Paradise Papers não foi possível constatar o que o general Dino ganhou com esta cooperação, porque os documentos obtidos da Appleby não contêm registo de movimentações de dinheiro.

De recordar que Angola importa anualmente combustível e derivados do petróleo no valor de 4 biliões de dólares ano. Pode-se aqui, com certeza, dizer que a razão pela qual a elite política angolana até aqui, nunca esteve interessada em construir uma refinaria no país, reside fundamentalmente neste esquema de corrupção que permitia ao ex-presidente e seus pares obterem anualmente centenas de milhões de dólares.

Quanto ao novo presidente, os especialistas não pensam que vai alterar grande coisa na relação Dino e Trafigura. “Embora João Lourenço tenha tomado medidas para reduzir a corrupção, é altamente improvável que ele responsabilize alguém pelos actos do passado”, diz Søren Kirk Jensen, pesquisador do grupo de pesquisa britânico Chatham House.

“As mudanças efectuadas são significativas mas não penso que vai alterar o quadro actual assim tão rápido num país onde a corrupção é generalizada. Por outro lado, a elite não perderá a curto prazo a influência ou riqueza que acumulou todos estes anos”, concluiu Jensen.
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