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"A UNITA hoje é uma menina bonita"
"A UNITA hoje é uma menina bonita"


Por : Sizaltina Cutaia


Pensando aqui com os meus botões:
Um dia algum angolano ou angolana vai escrever sobre a UNITA: de movimento de guerrilha à partido político.
Apesar da resistência entre os intelectuais, particularmente os que vivem em Luanda, em reconhecer este partido como uma força política com capacidade de mobilizar pessoas e ascender ao poder relegando-lhe a categoria de "partido periférico, que não se adaptou a vida das cidades", o facto é que against all odds, a UNITA conseguiu fazer a difícil transição de movimento de guerrilha para partido político e fez isso sem necessariamente aquilo que a literatura sobre o tema aponta como sendo o must (tipo o apoio internacional) para uma tal transição.

Muita gente pensou que com a morte do seu líder fundador, a desmilitarização das suas forças e a mudança dos seus principais players para Luanda, ela fosse ser dissolvida ou enfraquecida tal como aconteceu a FNLA. Pelo contrário, o grupo conseguiu fazer o call Back. Em agosto de 2002, criaram uma comissão para discutir o futuro do movimento e organizar a casa.

Conseguiram eleger um líder que reunia consenso e saíram a "caça" da confiança dos angolanxs. Conseguiram juntar pessoas de famílias tradicionais do MPLA no seu think thank e captar o voto fiel de dois dos mais populosos municípios da capital. Tudo isso para além de quase sozinha, fazer a oposição a maioria hegemônica de um partido Estado!

E a UNITA não transitou para ser um partido qualquer. É um partido que adoptou a democracia como forma de organização interna. Em 15 anos foram realizados 3 congressos ordinários, com eleições disputadas de forma aberta e democrática. Com debates públicos e televisionados, entre os candidatos a sua liderança, e a supervisão da sociedade civil.

Os seus candidatos a deputados à assembleia nacional são eleitos pelos militantes. E há uma estrutura que funciona independente da figura do seu presidente. Tudo isso foi conseguido num contexto de perseguição e manipulação, com antagonismo da imprensa nacional, pública e privada, mais outros portanto. É obra!!!! É isso que a teoria chama de resiliência.


Se algum intelectual decidir sair do lugar e adoptar a Unita como modelo de estudo para as questões de resiliência, acredito que as ciências sociais e políticas ficariam muito enriquecidas.
Fica a dica!
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