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José Eduardo fez muito mal a este país e a este povo sofrido, mas a morte é uma saída muito fácil de cena
SR. PRESIDENTE, NÃO É ASSIM QUE TEM DE SER

As notícias não são boas, nada boas. Há alguns anos que andamos a receber sinais da degradação do estado de saúde do Presidente da República e constatando o óbvio: o que quer que seja que lhe esteja a consumir, está a avançar e parece ser irreversível.

Consta que a Tchizé e o Zenu embarcaram hoje num jato particular em direção à Espanha e, por entre portas e travessas palacianas, vai circulando a informação que o "chefe" está entubado e a respirar artificialmente.

Não sou daqueles que jubilará com a morte de José Eduardo, não acredito que o seu simples desaparecimento de cena trará melhorias automáticas ao quadro político que foi construído em torno da sua figura, endeusando-o. As mentalidades e os maus hábitos não se expurgam do dia para a noite.

Sei que não ficarei feliz porque já passei por isto em 2002. Vivia na Inglaterra com 3 outros companheiros quando nos chegou a notícia da morte de Jonas Savimbi.

Eu passei toda a minha vida a ser envenenado com a propaganda unilateral do MPLA - Sede Nacional e acreditava que Jonas era um homem genuinamente mau, diabólico mesmo, que a sua morte iria acabar com todos os problemas do país e que poderíamos finalmente viver em paz.

Enquanto os meus 3 companheiros abriam garrafa de champanhe para celebrar, eu tentava digerir a notícia, perceber as suas implicações, medir a imensidão do que ela representava.

Tudo o que eu sentia era um estranho vazio. Não celebrei. Depois vi aquela imagem triste do seu corpo exibido como um troféu de caça na televisão, com os boxers à mostra e uma imensa tristeza me invadiu. Não sei explicar, mas percebi aí que mesmo que a morte de alguém possa desbloquear certos nós, não me congratularei com ela.

José Eduardo fez muito mal a este país e a este povo sofrido, mas a morte é uma saída muito fácil de cena. Ele deve continuar vivo para testemunhar os seus intricados nós serem finalmente desamarrados, para sentir a humilhação do desendeusamento, para voltar a ser um comum mortal e aceitar-se como falho, para ver que não irá ser lembrado como um "bom patriota" pela longa lista de tropelias da qual foi promotor.


Porque não buscar a redenção com a nossa própria Comissão da Verdade e Reconciliação? Pelo que me fez a mim pessoalmente, estaria disposto a perdoar, se ele tivesse disposto a admitir o que fez.
Rápidas melhoras senhor presidente.


Nu: Luaty Beirão
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