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Recolha de cartões eleitorais chega à EPAL
O processo de recolha coerciva de cartões eleitorais aos cidadãos chegou também à Empresa Pública de Águas de Luanda, soube a KUP de fonte segura.

Segundo a fonte, o objectivo da recolha de cartões não foi dado a conhecer pela direcção da empresa, que preferiu fazer apenas um comunicado a pedir aos trabalhadores no sentido de apresentarem os seus cartões, cujas cópias fariam parte do processo individual.

Indignados, alguns funcionários que quiseram saber dos reais motivos, foram surpreendidos com informações segundo as quais, se tratava de um processo normal exigido pelo Executivo para obrigar todos os cidadãos a obterem o cartão eleitoral.

“Se fosse o caso, as cópias não sairiam dos escritórios da EPAL transportadas por pessoas desconhecidas”, desconfiam.

Na tentativa de irem mais a fundo da questão, e depois de contactarem algumas pessoas ligadas ao “próprio Executivo”, ficaram a saber que estava em causa a recolha de assinaturas para certas forças políticas que prendem concorrer às eleições de Agosto próximo.

“Tratando-se de uma empresa do Estado, não é qualquer força política, que não seja o MPLA, a fazer isso”, supõem, lembrando que o cartão eleitoral é individual e tem uma finalidade única no dia do voto.

Vários partidos políticos da oposição repudiam, amiúde, tal procedimento, acusando que a medida visa a preparação da fraude eleitoral, e constitui um atropelo ao espírito da transparência, da lisura, da coerência, da harmonia, da paz e da reconciliação nacional.

No entanto, o Executivo através do Secretário de Estado para os Assuntos Institucionais e Eleitorais do Ministério da Administração do Território (MAT), Adão de Almeida, considerou legitima a recolha de dados dos cartões de eleitores de militantes por parte dos partidos políticos para o controlo interno ou apresentação de candidaturas.

“Para o efeito de organização interna, os partidos políticos podem precisar dos dados do cartão eleitoral dos seus militantes para saberem se já estão cadastrados e até para o processo de apresentação das candidaturas às eleições”, esclareceu.
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