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Como o MPLA está a preparar as eleições de 2017 ?
COMO O MPLA ESTÁ A PREPARAR AS ELEIÇÕES DE 2017?

Por A. Epesse

Num espaço de um mês e meio o MPLA realizou o seu segundo comício em Luanda – segundo reza - para de novo apresentar o seu candidato presidencial às eleições de Agosto de 2107.

O referido comício realizou-se no dia 25-03-2017 e, realmente, desta vez apareceu mais gente ao local da realização do que no anterior que teve lugar semanas antes em Cazenga, também em Luanda.

Estranhamente o segundo comício do MPLA realizou-se na mesma área onde a União Nacional Para Independência Total de Angola (UNITA) havia realizado o seu, duas semanas antes, ou que seja, no dia 11-03-2017, tendo na altura conseguido reunir uma multidão que pelos vistos terá assustado os dirigentes do MPLA no que toca a suas pretensões de vitória nas próximas eleições, tendo sido essa a razão que pesou na escolha do mesmo espaço para medir a sua capacidade de mobilização perante a da UNITA..

O resultado alcançado neste segundo comício pôs os dirigente do MPLA quase delirantes e os seus órgãos de ressonância nomeadamente a Rádio e a Televisão não se cansam de fazer eco do assunto nem de gritar, nem que para isso tenham que arrebentar com os tímpanos de quem lhes presta atenção ou que aceite que lhe queimem as retinas com as imagens repetitivas e cansativas que lançam no ar, dizendo que, O MPLA e o seu candidato João Lourenço nunca mais serão apanhados porque, por terem arrancado cedo com a sua pré-campanha eleitoral estão muito adiantados face a outros partidos e seus candidatos por até aqui ainda não terem programa.

Que ninguém se esqueça que, para o MPLA, não importa quem esteve no referido comício e como foi lá parar, não importa que para haver aquela gente no referido comício foi preciso obrigar as escolas a trazerem os seus alunos, as repartições a obrigarem os seus funcionário quase como quem assina o livro de ponto para não apanhar falta, os transportes colectivos incluindo comboios a trazerem gente de pessoas de tão longe que nunca sonharam vir assistir um comício em Luanda, os taxista obrigados a transportar gente com promessas de pagamentos chorudos que possivelmente nunca serão cumpridos, enfim, tanta coisa que foi feita para o MPLA conseguir juntar aquela multidão para a imagem televisiva, não se importando se irão votar no seu candidato ou não porque, para eles o resto fica para o mês de Agosto de 2017.

Portanto, para quem acompanha a política angolana é fácil chegar a conclusão de que o MPLA tem estado a seguir com firmeza tudo aquilo que foi dito pelo Presidente José Eduardo dos Santos no último Congresso do partido, quando disse que o MPLA tinha que vencer as próximas eleições com Maioria Qualificada, vitória que seria injustificável se o partido não começasse já a criar imagens televisivas, nem que sejam virtuais, para tentar convencer do ponto de vista psicológico uma boa franja da população do país, se tivermos em conta que a maior parte da nossa população tem ainda uma mentalidade pouco estruturada do ponto de vista sócio-político,

Alguém acha que a atitude de José Eduardo dos Santos de nomear nesta fase do campeonato vários responsáveis militares e policiais numa lógica de “UNIFICAÇÃO DE TODAS AS FORÇAS DE SEGURANÇA” para combater a criminalidade é um acto inocente? Claro que não é porque, se o termo fosse considerado no seu sentido etimológico, não restam dúvidas que o primeiro criminoso a ser combatido seria ele próprio JES e toda a sua corja de ladrões que transformaram Angola num país de mendigos e de cadáveres sem morgues.

Não é estranho que tal alteração só se tenha verificado depois da prova dada pela população da cidade de Luanda no Comício da UNITA em Viana, gritando aquilo que normalmente o MPLA não gosta de ouvir que é a mudança do governo?

Por isso, o objectivo PRINCIPAL que está por detrás da estratégica da UNIFICAÇÃO DAS FORÇAS DE SEGURANÇA tem a ver com o facto de o MPLA ter se apercebido de que existe uma forte possibilidade de perder as eleições em Agosto de 2017, senão o que demais seria? Não pende sobre o país nenhuma ameaça externa?.

Será que o MPLA pretende mesmo deixar o poder mesmo que perca eleições no próximo mês de Agosto? Será que José Eduardo dos Santos aceitará deixar o poder se João Lourenço vencer? JES não procurará adiar sem data a passagem de testemunho para qualquer um que venha a sair vencedor nas próximas eleições? É que é assim que os ditadores têm feito e parece que em Angola tudo está a ser preparado para que não venha a ser uma excepção.

Antes do comício da UNITA, nada importava aos dirigentes do MPLA porque na altura, ainda não havia nenhum factor comparativo para a partir do qual eles pudessem medir o grau de sensibilidade e da aceitação das populações no que diz respeito as suas simpatias e aproximações aos partidos políticos, daí as críticas que o MPLA fazia aos outros partidos, especialmente ao maior partido da oposição, UNITA, pelo facto – diziam eles - de se limitar a fazer críticas ao trabalho da comunicação social (TPA, RNA e JA) por tudo aquilo que estes órgãos faziam e têm feito na pré-campanha de apresentação do seu candidato João Lourenço, pelo que – diziam eles ainda - a UNITA não tem legitimidade de fazer tais críticas porque a culpa de esses mesmos órgãos de comunicação não terem nada para dizer sobre eles é dos próprios uma vez que, até aquela data ainda não tinham nada organizado para ser publicitado.

Atendendo a que a intenção MPLA foi sempre de manter o poder a todos o custo, situação que desta vez não será muito fácil de gerir recorrendo apenas a simples fraude eleitoral sem outras artimanhas antecipadas, já que desta vez as outras forças políticas estão atentas e mais preparadas para o efeito, para o MPLA tal aglomerado de pessoas que se verificou no comício da UNITA em Viana serviu apenas de elemento de referência e a marcação do seu segundo comício seguida de uma mobilização atípica de pessoas que não fazem parte e nem gostam do MPLA apenas para encher o espaço teve por objectivo único a habitual colheita de imagens para o que pretendem fazer em Agosto próximo, inculcando antecipadamente nas mentes do povo a ideia de que, em números, os apoiantes do MPLA são sempre mais do que a soma dos apoiantes dos outros partidos.

É aqui que entra o jogo de falsas imagens televisivas na apresentação dos comícios da UNITA em imagens reduzidas.
E A SITUAÇÃO ASSIM CRIADA SERVE APENAS PARA UMA ÚNICA COISA: SERVE PARA EM AGOSTO JUSTIFICAR AQUILO QUE MUITOS VIRIAM A CONSIDERAR COMO UMA FRAUDE ELEITORAL, MAS QUE PARA O MPLA SERIA APENAS A CONSTATAÇÃO DOS RESULTADOS QUE JÁ SE VINHAM VERIFICANDO ANTERIORMENTE ATRAVÉS DOS ACTOS DE MASSAS.

Só que, uma coisa são as imagens manobradas, postas cá fora, pela Televisão de Angola (TPA), mostrando pouca gente nos comícios DOS PARTIDOS DA OPOSIÇÃO como por exemplo da UNITA, outra coisa é o número real de militantes e simpatizantes presentes nestes comícios para onde vão sem que para isso sejam pressionadas, números que podem influenciar directamente os resultados eleitorais se as eleições forem genuínas uma vez que, o voto é secreto e não só porque em Agosto já não será como aquilo que aconteceu nas anteriores eleições porque, apesar de tudo, os partidos concorrentes estarão mais bem preparados.
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